Agências climáticas internacionais confirmaram que o El Niño está ativo e deve se intensificar nos próximos meses. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, há quase 100% de probabilidade de o fenômeno durar até fevereiro de 2027, com pico previsto para o final de 2026.
O alerta foi reforçado no início de setembro. A preocupação é que este ciclo pode ser mais forte que o normal — um possível “Super El Niño” —, aumentando o risco de desastres climáticos, perdas na agricultura e eventos extremos em várias partes do mundo.
Embora o La Niña — fenômeno oposto — não esteja previsto para 2026, entender como os dois funcionam ajuda a compreender o que está por vir.
Por que isso importa
El Niño e La Niña não são apenas curiosidades meteorológicas. Eles alteram padrões de chuva, temperatura e ventos em escala global, afetando:
- Agricultura: safras de soja, milho, trigo e outras culturas podem ser comprometidas.
- Abastecimento de água: regiões que dependem de chuvas regulares podem enfrentar secas ou enchentes.
- Energia: o nível dos reservatórios das hidrelétricas muda conforme as chuvas.
- Desastres naturais: aumentam os riscos de enchentes, deslizamentos e incêndios florestais.
- Economia: preços de alimentos, transporte e energia podem subir.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região — e é isso que torna o monitoramento essencial.
Entenda passo a passo
O que é o El Niño?
Imagine que o Oceano Pacífico é uma banheira gigante. Em condições normais, os ventos alísios (ventos que sopram de leste para oeste na região do Equador) empurram a água quente da superfície para perto da Indonésia e da Austrália. Isso faz com que a água mais fria suba perto da costa da América do Sul.
Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem. Resultado: a água quente fica parada perto da costa sul-americana, aquecendo a atmosfera e bagunçando a circulação de ar em todo o planeta.

O que acontece no Brasil durante o El Niño?
- Região Sul: chuvas acima da média, principalmente entre setembro e dezembro. Risco de enchentes e prejuízos agrícolas.
- Regiões Norte e Nordeste: secas mais intensas, com risco para agricultura, pecuária e abastecimento de água.
- Sudeste e Centro-Oeste: efeitos variáveis, mas geralmente com chuvas irregulares e calor acima do normal.
E o La Niña?
O La Niña é o oposto: os ventos alísios ficam mais fortes, empurrando ainda mais água quente para o oeste. Isso faz com que águas frias das profundezas subam à superfície perto da América do Sul, resfriando o Pacífico Equatorial.
No Brasil, os efeitos típicos do La Niña são:
- Sul: chuvas abaixo da média, com risco de estiagem.
- Norte e Nordeste: chuvas acima da média, com risco de enchentes.
O que dizem os envolvidos
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou que o El Niño está “firmemente estabelecido” e deve se intensificar. A entidade alerta que os efeitos sobre chuvas e temperaturas serão sentidos em várias regiões do mundo.
Até o momento, não há previsão de La Niña para 2026. Autoridades brasileiras, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), acompanham a evolução do fenômeno e devem divulgar boletins atualizados nos próximos meses.
O que ainda não se sabe
- Intensidade exata: será um El Niño forte, moderado ou “Super El Niño”? A resposta só virá com o avanço do fenômeno.
- Duração precisa: a previsão indica até fevereiro de 2027, mas pode se estender ou terminar antes.
- Impactos regionais detalhados: cada estado e cidade pode sentir efeitos diferentes. Monitoramentos locais são essenciais.
- Relação com as mudanças climáticas: cientistas ainda debatem se o aquecimento global está tornando esses fenômenos mais intensos e frequentes.