Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , no domingo (25 de outubro de 2026), uma onda de ataques e ameaças atingiu trabalhadores que declararam voto no presidente reeleito. Diversas postagens em redes sociais passaram a incentivar a demissão ou a perseguição desses trabalhadores, como retaliação à derrota de Flávio Bolsonaro (PL) .
O volume de denúncias é considerado inédito pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) :
| Período | Denúncias de assédio eleitoral |
|---|---|
| Primeiro turno de 2026 | 991 |
| Entre primeiro e segundo turnos | 945 |
| Da 0h de segunda (26) às 17h45 de terça (27) | 530 |
Segundo o procurador Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho:
Para efeito de comparação: em 2022, ano recorde, o MPT recebeu 3.373 denúncias em todo o ano, sendo 80% entre o primeiro e o segundo turno. Agora, 530 denúncias foram registradas em menos de dois dias após a votação — um padrão completamente diferente.
O assédio eleitoral é uma prática que fere direitos fundamentais do trabalhador. No Brasil, a Lei 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias no trabalho, incluindo por convicção política.
Historicamente, o assédio eleitoral ocorria antes ou durante as eleições, geralmente por meio de pressão de empregadores para que funcionários votassem em determinado candidato. O que mudou agora foi o momento e o ambiente:
- Antes: denúncias concentradas no período eleitoral, com pressão presencial.
- Agora: denúncias em massa após o resultado, com ataques organizados nas redes sociais.
- Novo elemento: pessoas que não são empregadoras também podem ser responsabilizadas por estimular a perseguição.
O que está acontecendo nas redes sociais?
Ao longo dos últimos dois dias, centenas de posts com ataques a trabalhadores, a maioria estimulando a demissão de trabalhadores "petistas".
Características das postagens:
- Feitas por políticos de extrema direita e por internautas comuns;
- Comentários de apoio e muitos compartilhamentos;
- Uso de palavrões e ofensas contra os trabalhadores;
- Estímulo explícito à perseguição e à demissão.
Quem pode ser responsabilizado?
Segundo o procurador Igor Sousa Gonçalves, não é apenas o empregador que pode ser responsabilizado:
Quem compartilha, incentiva ou estimula a perseguição a trabalhadores também está sujeito a ações.
Possíveis consequências:
Medida - O que significa
Retratação pública - Correção na mesma rede social em que o ataque foi publicado
Multa - Penalidade financeira por dano coletivo
Indenização por dano moral coletivo - Compensação pelo prejuízo causado à coletividade de trabalhadores
O que fazer se for demitido por preconceito político?
Segundo Gonçalves, o trabalhador demitido por preconceito político tem duas opções:
- Ação pedindo reintegração ao emprego: o trabalhador retorna ao posto de trabalho.
- Indenização: o trabalhador opta por receber uma compensação financeira, como prevê a Lei 9.029/1995.
O que o MPT está fazendo?
O MPT está atuando em todos os estados e no Distrito Federal, com:
- Grupo de trabalho específico para lidar com o volume de casos;
- Pontos focais em todas as procuradorias regionais;
- Monitoramento de casos e acompanhamento das denúncias;
- Estudo de medidas contra as redes sociais, já que há um volume expressivo de postagens que não são retiradas do ar.
Além disso, algumas denúncias envolvem suspeita de delitos eleitorais ou criminais e estão sendo encaminhadas para outros órgãos.