Estudantes do 6º ao 9º ano da Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental (EIEEF) Wen Canum Oro Waram, em Guajará-Mirim (RO) , participaram na terça-feira (13 de outubro de 2026) de uma atividade pedagógica que integrou literatura amazônica, cultura indígena, ancestralidade, educação ambiental e inclusão.

A programação marcou a culminância do segundo ano consecutivo do projeto na unidade escolar e contou com a participação do escritor Paulo Cordeiro Saldanha.

As atividades preparatórias foram realizadas ao longo do semestre, com:

  • Leituras compartilhadas de obras da literatura regional ribeirinha;
  • Rodas de leitura, debates e interpretação de textos;
  • Contato com poemas de autores regionais e nacionais;
  • Discussões sobre identidade, natureza, cultura indígena e preservação ambiental.

Durante a visita, os estudantes participaram de:

  • Observação da fauna, da flora e das paisagens amazônicas;
  • Produção de textos e poemas inspirados nas experiências vivenciadas;
  • Oficina prática de Língua Brasileira de Sinais (Libras) .

Guajará-Mirim fica na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, na região amazônica de Rondônia. A cidade é marcada pela presença de povos indígenas, pela cultura ribeirinha e por uma biodiversidade rica, mas também enfrenta desafios de acesso à educação, à cultura e à inclusão.

Projetos que articulam literatura, meio ambiente e inclusão são importantes porque:

  • Valorizam os saberes locais: a cultura indígena e ribeirinha é tratada como conhecimento, não como folclore.
  • Ampliam o repertório dos estudantes: o contato com escritores e obras regionais fortalece a identidade e o gosto pela leitura.
  • Promovem inclusão: a oficina de Libras aproxima os estudantes da comunidade surda e amplia a comunicação.
  • Conectam escola e território: as atividades de observação da natureza levam a aprendizagem para além da sala de aula.

O que é o projeto?

O projeto literário é desenvolvido na escola há dois anos consecutivos. Ao longo de cada semestre, os estudantes leem obras da literatura amazônica, participam de rodas de conversa e produzem textos e poemas inspirados nas leituras e nas vivências.

A culminância — atividade de encerramento — reúne tudo o que foi trabalhado: leituras, debates, produções e experiências práticas.

Quem participa?

EnvolvidosPapel
Estudantes do 6º ao 9º anoProtagonistas das atividades
Escola Indígena Wen Canum Oro WaramUnidade escolar onde o projeto acontece
Secretaria de Estado da Educação (Seduc)Parceria institucional
Universidade Federal de Rondônia (Unir) – Campus Jorge VassilakisParceria acadêmica
Academia Guajaramirense de Letras (AGL)Parceria cultural
Grupo de Estudos e Pesquisas em Literatura, Língua(gens) e Memórias das/nas Fronteiras Amazônicas (Gepellim)Apoio à pesquisa
Escritores e colaboradoresParticipação nas ações

O que é a oficina de Libras?

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua oficial da comunidade surda no Brasil, reconhecida pela Lei 10.436/2002. A oficina prática oferecida aos estudantes busca:

  • Promover a inclusão de pessoas surdas;
  • Ampliar a comunicação entre os alunos;
  • Sensibilizar para a diversidade linguística;
  • Valorizar a Libras como expressão cultural.

O que é literatura ribeirinha?

A literatura ribeirinha é produzida por autores que vivem ou têm forte relação com as comunidades da Amazônia. Ela aborda temas como:

  • A vida nos rios e nas florestas;
  • As populações tradicionais (ribeirinhos, indígenas, quilombolas);
  • A relação com a natureza;
  • As memórias e identidades da região.

Autores como Paulo Cordeiro Saldanha representam essa vertente, que valoriza a cultura amazônica e a ancestralidade.

Fonte:Seduc