O Japão vai iniciar, na próxima terça-feira (20 de outubro de 2026), a missão espacial MMX (Martian Moons eXploration) , que enviará uma sonda para Fobos, uma das duas pequenas luas de Marte. O objetivo é coletar amostras do solo e trazê-las de volta à Terra — algo nunca feito antes no sistema marciano.

O lançamento está previsto para as 04h41min03s (horário padrão do Japão) , a bordo do foguete H3 F10, principal veículo espacial desenvolvido pelo país.

A viagem completa, incluindo ida, exploração científica e retorno, deve durar cerca de cinco anos. A sonda também estudará a outra lua marciana, Deimos, e o próprio planeta Marte.

Resumo da missão

ItemInformação
NomeMMX (Martian Moons eXploration)
AgênciaJAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial)
DestinoFobos (lua de Marte)
Lançamento20 de outubro de 2026, 04h41 (horário do Japão)
FogueteH3 F10
DuraçãoCerca de 5 anos (ida, coleta e retorno)
Objetivo principalColetar amostras do solo de Fobos e trazê-las à Terra

Por que ir a Fobos?

Marte tem duas luas pequenas: Fobos e Deimos. Ambas têm formato irregular, parecem asteroides e orbitam muito perto do planeta vermelho. Fobos tem cerca de 22 km de diâmetro; Deimos, cerca de 12 km.

A origem dessas luas é um dos grandes mistérios da ciência planetária. Existem duas hipóteses principais:

  1. Captura de asteroides: as luas seriam asteroides que passaram perto de Marte e foram capturados pela gravidade do planeta.
  2. Formação por impacto: as luas teriam se formado a partir de detritos de uma grande colisão entre Marte e outro corpo celeste.

As amostras de Fobos podem ajudar a resolver essa questão. Se o material for parecido com rochas de Marte, reforça a hipótese do impacto. Se for semelhante a asteroides, favorece a captura.

Além disso, Fobos e Deimos podem conter material primordial do Sistema Solar, preservado por bilhões de anos. Analisar essas rochas em laboratório na Terra — com equipamentos muito mais potentes do que os que podem ser enviados ao espaço — pode revelar pistas sobre a formação dos planetas e a história da água em Marte.

O lançamento

A sonda MMX será lançada do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, a bordo do foguete H3 F10. O H3 é o foguete mais moderno do Japão, desenvolvido para substituir o H-IIA. Ele tem cerca de 63 metros de altura e pode levar cargas de até 6,5 toneladas para a órbita de transferência geoestacionária.

O lançamento está marcado para as 04h41 (horário do Japão) , o que corresponde a 16h41 do dia 19 de outubro no horário de Brasília (a diferença é de 12 horas).

A viagem de ida

A sonda seguirá uma trajetória de transferência de Hohmann, aproveitando a gravidade da Terra e de outros corpos para economizar combustível. A viagem até Marte deve durar cerca de um ano.

A chegada e a órbita

Ao chegar ao sistema marciano, a MMX entrará em órbita ao redor de Marte e, depois, se aproximará de Fobos. A sonda fará observações remotas da superfície antes de tentar o pouso.

O pouso em Fobos

O pouso em Fobos é um dos maiores desafios da missão. A gravidade da lua é extremamente baixa — cerca de 1/1000 da gravidade da Terra. Isso significa que a sonda precisa se "agarrar" à superfície para não flutuar de volta ao espaço.

A MMX usará propulsores e um sistema de ancoragem para se fixar ao solo. Em seguida, um braço robótico coletará grãos de poeira e fragmentos rochosos da superfície.

A meta é coletar pelo menos 10 gramas de material — quantidade suficiente para análises detalhadas.

O retorno

Após a coleta, a sonda guardará as amostras em uma cápsula de retorno. Em seguida, decolará de Fobos e iniciará a viagem de volta à Terra.

A cápsula será lançada em direção à Terra e pousará em uma área remota — provavelmente na Austrália, como aconteceu com a Hayabusa2. O material será então levado para laboratórios no Japão e compartilhado com cientistas internacionais.

Estudos de Deimos e Marte

Além de Fobos, a MMX também fará sobrevoos de Deimos e observações de Marte. A sonda carrega instrumentos como câmeras de alta resolução, espectrômetros e um radar para estudar a estrutura interna das luas.

O que as amostras podem revelar?

As rochas de Fobos são verdadeiras cápsulas do tempo. Elas podem conter informações sobre:

  • A origem das luas de Marte: captura de asteroides ou impacto?
  • A história da água em Marte: se as luas contêm material marciano, podem indicar como a água existiu no planeta.
  • A formação do Sistema Solar: materiais primordiais que não sofreram alterações desde a formação dos planetas.
  • Recursos para futuras missões: a presença de água e outros compostos pode ser útil para exploração espacial.

Fonte:Cnn